sábado, 26 de maio de 2012

A Origem das Patricinhas

'Garotas Rosa', a origem


Patricinhas são adolescentes que se comportam com posturas de arrogância diante de meninas da mesma idade, onde os valores da vida se concentram no ter. Disputam poder no meio em que vivem através das marcas de roupas que vestem, do número de garotos que conseguem fazer rastejar aos seus pés. Tratam seus pais com desdenho e controlam as mães como se elas fossem suas escravas. Terminam o domingo já imaginando com que roupa e tipo de cabelo vão sair no próximo sábado. Vivem em grupo de semelhantes, e adoram fazer banca diante de outros grupos que julguem inferior a elas, principalmente em questões econômicas. Farejam paqueras pelo carro do garoto, porém só procuram garotos bem acima da idade delas, desfazendo dos meninos da mesma idade. Na sala de aula, dificilmente aceitam que os professores exijam delas. Sonham eternamente com um príncipe encantado.
Para uma menina chegar a este ponto de comportamento, é necessário ter passado por um processo educacional carregado de algumas características, como: desde bebês, receberam muito dengo distribuído entre intenso processo de elogios pela beleza; roupas impecáveis - tipo bonequinhas encantadas -; superproteção dos pais e o receio de correrem riscos físico ou se sujarem; mães extremamente funcionais onde faltou afeto espontâneo; pais com tempo corrido para as filhas e total dedicação ao trabalho, gerando buraco afetivo nas filhas e ausência masculina; projeção de um bom casamento para as filhas, sendo referência o valor econômico e vindo de famílias nobres; ambiente do quarto das meninas com estilo casa de bonecas; nunca precisaram ajudar em nada, não conhecendo o custo real da vida; etc.
Mas diante dos sintomas comportamentais e do estilo de educação proveniente as “patricinhas”, resta-nos pensar quais os resultados para a vida adulta de uma pessoa com tal processo educativo. O que viram as “patricinhas” de hoje? Viram quase nada. Estudaram nas melhores escolas, com um diploma nas mãos, ficam a espera do príncipe encantado que possa supri-las para que continuem recebendo as mordomias da família de origem. Tornam-se mulheres extremamente dependentes dos maridos e eternamente reclamando da vida por estarem sobre o controle deles. Preferem a acomodação a atuarem para construírem um projeto pessoal de vida. Nos filhos, transferem todas as frustrações pessoais com reclamações. Dificilmente dão conta dos afazeres domésticos, nomeando uma empregada como escrava. Mas não deixam de perder a pompa de “patricinhas”, escondendo em vaidades e superficialidades, tornam-se madames de salão de beleza, e gastam fábulas com plásticas.
É sempre bom lembrar, que as “patricinhas”, nascem da escolha dos pais, através do modelo educacional traçado para as filhas. Aquilo que na infância é um objeto de enfeite para os pais; na adolescência passa a ser uma caixa de arrogâncias; e na vida adulta mulheres sem identidade, vivendo à sombra.

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