sábado, 26 de maio de 2012

A Origem Otaku

Uma das tribos mais antigas... ou não?

A História do Mangá:
Atualmente muitas pessoas conhecem, compram e lêem mangás, mas será que elas conhecem a história, a origem desse tipo de literatura?
Nessa série de posts eu vou desbravar os mistérios por trás da origem do estilo mangá para que vocês possam conhecer um pouco melhor como e por que os mangás são feitos como nós os conhecemos hoje.

A Origem:
A religião Budista foi introduzida no Japão através da China e da Coréia no início do período Asuka (538-710 d.C.) e o padrão artístico chinês foi utilizado nas obras de arte desse período que eram importadas e copiadas no estilo local japonês. No período Nara (710-794 d.C.), foi copiada a obra budista "Kako Genzai Inga Kyo", que traz imagens e textos juntos para facilitar a compreensão.



No fim do período Heian (794-1185 d.C.) surgiu o estilo japonês de pintura o Yamato-e muito parecido com o estilo chinês da Dinastia Tang. O Yamato-e representa, em sua maioria, temas narrativos com textos, a beleza da natureza, lugares famosos e as quatro estações. As obras eram feitas em rolos de papel que podiam ser pendurados em paredes (kakemono) ou em forma portátil para o leitor desenrolá-lo (emakimono).
O primeiro emakimono de que se tem conhecimento é o “Genji Monogatari”, que é o emakimono mais antigo e o primeiro a não tratar de temas religiosos budistas.
Pintura Original sem o texto:



Nos emakimonos os textos explicativos aparecem após longas cenas de pintura. Essa prevalência da imagem assegurando sozinha a narração é hoje uma das características mais importantes dos mangás.

No período Edo (1603-1868 d.C.) em que os rolos de papel são substituídos por livros, as estampas eram inicialmente destinadas à ilustração de romances e poesias, mas rapidamente surgem livros para ver em oposição aos livros para ler, é o movimento Ukiyo-e ("retratos do mundo flutuante").
O artista mais conhecido desse movimento é Katsushika Hokusai, que em sua obra "As trinta e seis vistas do Monte Fuji" esta sua gravura mais conhecida:
"A Grande Onda de Kanagawa"



Em seu trabalho "Hokusai Manga", ele nomeia o estilo da caricaturalização da realidade de “Mangá”. Esse trabalho é uma série de estudo de movimentos e expressões que Hokusai fez em suas viagens.





Mudanças no estilo do Mangá:

Após Katsushika Hokusai, e seu “Hokusai Mangá” de meados de 1814, o número de artistas que desenhavam nesse estilo cresceu bastante, um desenho que ainda era bem diferente do que nós conhecemos, sendo ainda próximo à representação do corpo humano e seus movimentos de forma realista.
Em fins do século XVIII e início do século XIX, sob influência de revistas comerciais ocidentais provenientes dos Estados Unidos e da Europa o estilo mangá chegou a ficar conhecido como Ponchie (abreviação de Punch-picture), devido sua semelhança com os quadrinhos da publicação britânica Punch.



Diversas séries comparáveis as do ocidente surgem nos jornais japoneses, para ilustrar os fatos, divertir e informar os leitores, as mais populares até a metade dos anos quarenta são:

Norakuro Joutouhei, série antimilitarista de Tagawa Suiho:



Boken Dankichi, série de Shimada Keizo:



Em meados 1920, outro artista do estilo mangá ganha renome, eraRakuten Kitazawa que foi o primeiro a utilizar o termo "Mangá" no seu sentido moderno e não mais para designar caricaturas dos movimentos humanos. Mais tarde em sua carreira dedicou-se a treinar jovensmangakas (termo usado para designar os desenhistas de mangás).

[o termo mangá atualmente é usado para designar as histórias em quadrinhos feitas no estilo japonês. No Japão o termo designa qualquer história em quadrinho]

Ele baseava seus trabalhos em publicações americanas como The Katzenjammer Kids, The Yellow Kid e no trabalho de Frederick Burr Opper.
Alguns dos trabalhos de Kitazawa:



Período Pós-Guerra:

Após a derrota japonesa para os aliados na 2º Guerra Mundial, em 1945, o Japão foi ocupado pelas tropas americanas que tomaram uma série de medidas dentro do país. Uma dessas medidas foi a censura da imprensa, que não podia publicar nada que glorificasse a guerra, o militarismo japonês e nem os crimes que aconteciam no país, também era proibida a publicação de qualquer artigo que falasse sobre a censura.
No entanto a censura não impediu que os mangás continuassem sendo produzidos, agora com uma influência ainda maior das culturas ocidentais. E é nesse contesto que surge o mangá moderno tendo como principais representantes Machiko Hasegawa e Osamu Tezuka, que são considerados como Mãe e Pai do mangá moderno.
Machico Hasegawa foi aluna de Tagawa Suiho (Norakuro Joutouhei), e uma das primeiras mangakas mulheres. Seu mangá de sucesso foi Sazae-san que começa a ser produzido em meados de 1946 e conta o dia-a-dia de uma moça comum durante os anos do pós-guerra. É a partir daqui que os estilo mangá começa a ganhar ramificações e sub-gêneros, a obra de Hasegawa ajudou a criar o gênero Shoujo, que são os mangás feitos com temáticas femininas, inicialmente era feito principalmente por mangakas homens, mas a partir de 1960 torna-se um gênero dominado pelas mulheres.

Sazae-san:



Já Osamu Tezuka, quando jovem, tinha como ídolos Rakuten Kitazawa, Ippei Okamoto e o famoso Walt Disney, e ajudou a criar o gênero Shounen, voltado para os meninos.
A história de Osamu Tezuka e suas inovações, vocês conferem no próximo post da série: Osamu Tezuka e sua Revolução no Universo dos Mangás.

A História de Osamu Tezuka [o pai dos Mangás]:

Tezuka Osamu (手塚 治虫) 3 de novembro de 1928 — 9 de fevereiro de 1989)
Tezuka-san foi o autor que popularizou o estlio mangá, seus desenhos são facilmente identificáveis: o traço é claro, as imagens simples, o enquadramento cinematográfico e o humor tem sempre seu lugar.
Quando pequeno seu pai, que tinha um projetor de filmes, exibia frequentemente desenhos como o Marinheiro Popeye e Mickey Mouse, Tezuka chegou a afirmar que assistiu Bambi mais de 80 vezes quando criança.
Seus desenhos foram altamente in fluenciados por Max Fleischer (Betty Boop), Walt Disney (Mickey Mouse), Rakuten Kitazawa (Tonda Haneko Jō).



Na escola chegou a criar um clube para estudos sobre insetos. Ao andar pelos campos para recolher e estudar insetos, ele adquiriu o senso de preservação do meio ambiente que apareceria posteriormente.
Quando iniciou a Segunda Guerra Mundial, Osamu tinha onze anos e acabou trabalhando em uma fábrica nos anos finais da guerra. A guerra marcaria sua visão de mundo e a paz e o apreço à vida se tornariam valores defendidos por ele em suas obras.
Osamu utiliza as características faciais semelhantes às dos desenhos de Disney e Fleischer, onde olhos (sobretudo Betty Boop), boca, sobrancelhas e nariz são desenhados de maneira bastante exagerada para aumentar a expressividade dos personagens. É ele quem introduz os movimentos nas histórias através de efeitos gráficos, como linhas que dão a impressão de velocidade ou onomatopéias que se integram com a arte, destacando todas as ações que comportassem movimento, mas também, e acima de tudo, pela alternância de planos e de enquadramentos como os usados no cinema. As histórias ficaram mais longas e começaram a ser divididas em capítulos.
O início de sua carreira como desenhista de mangá se dá em 1946, com 17 anos, quando ele começa a escrever a tira O Diário de Ma-chan no jornal Shokokumin Shimbun (Jornal das crianças da escola de Mainichi).



Por volta de 1950 Tezuka resolveu mudar-se para Tóquio onde achava que seria mais fácil publicar suas próprias obras. Teve suas expectativas frustradas até que um amigo lhe ofereceu uma chance, surgia Jungle Taitei (Kimba, o Leão Branco, no Brasil).



A partir do sucesso de Kimba, Tezuka-san pôde publicar outros sucessos sem tantas dificuldades e acabou chegando à Tetsuwan Atomu (conhecido também por Astro Boy), sua obra mais famosa. O sucesso foi tanto que resolveu realizar um antigo sonho: fazer uma animação nos moldes das animações de Walt Disney. Formou um estúdio próprio em 1961, com o nome de Tezuka Osamu Production, depois chamado Mushi Production, e criou a série de desenho animado de Atom, uma das primeiras animações da televisão japonesa, que daria origem a uma explosão de animações (ou animes).
Astro Boy também é uma das séries animadas que mais ganhou remakes ao longo dos anos, sempre que surge uma nova tecnologia de animação Astro está lá para testá-la.





Finalmente a passagem do papel para a televisão tornou-se comum e o aspecto comercial do mangá ganhou amplitude, mas Tezuka não se contentou com isso. Sua criatividade o levou a explorar diferentes gêneros — na sua maioria, os mangás tinham como público-alvo as crianças e jovens —, assim como a inventar outros, participando no aparecimento de mangás para adultos nos anos sessenta com os quais ele pôde abordar assuntos mais sérios e criar roteiros mais complexos. Ele também foi mentor de um número importante de mangakas como Fujiko & Fujio (dupla criadora de Doraemon), Akatsuka Fujio, Akira "Leiji" Matsumoto (Galaxy Express), Tatsuo Yoshida (criador de Speed Racer) e Shotaro Ishinomori.

Assim, os mangás cresceram simultaneamente com seus leitores e diversificaram-se segundo o gosto de um público cada vez mais importante, tornando-se aceitos culturalmente. A edição de mangás representa hoje mais de um terço da tiragem e mais de um quarto dos rendimentos do mercado editorial em seu país de origem. Tornaram-se um verdadeiro fenômeno ao alcançar todas as classes sociais e todas as gerações graças ao seu preço baixo e a diversificação de seus temas. De fato, como espelho social, abordam todos os temas imagináveis: a vida escolar, a do trabalhador, os esportes, o amor, a guerra, o medo, séries tiradas da literatura japonesa e chinesa, a economia e as finanças, a história do Japão, a culinária e mesmo manuais de "como fazer", revelando assim suas funções pedagógicas.

Fontes:
http://mtv.uol.com.br/otaku/blog/otaku-origem-do-mang%C3%A1
http://mtv.uol.com.br/otaku/blog/otaku-origem-do-mang%C3%A1-parte-2
http://mtv.uol.com.br/otaku/blog/otaku-origem-do-mang%C3%A1-parte-3
[Textos pouco modificados]

Nenhum comentário:

Postar um comentário